Foi numa animada tarde de Carnaval, que o Family Building se sentou à conversa com uma família muito sorridente: o Pedro, o pai, a Teresa, mais conhecida por Kika, a mãe, e o Pedro Maria, o bebé tratado por Pê.

Os pais, quase a completarem 30 anos, tiveram há seis meses o seu primeiro filho e decidiram contar-nos como tem sido esta aventura, nunca antes vivida.

 

Kika e Pedro, foram pais há poucos meses. Sentem que mudou muita coisa?

Pedro – Mudou muita! Apesar de sentir que consigo fazer quase tudo o que fazia, basta querer, há agora uma grande necessidade de planeamento. Por exemplo, se decidirmos ir passar o fim-de-semana fora, já não dá para planear em cima da hora. Tens que ter em consideração toda a logística – se o Pedro tem onde dormir, se não tem, as malas, o que vai precisar…

Sinto também que tu nunca mais estarás descansado a 100%…

Kika – Sim é como se não fosse possível voltar a ter a cabeça completamente em branco. Tens sempre ali uma luzinha a piscar.

 

O que mudou no ambiente da casa?

Kika – Mudou tudo. Faz-me confusão quando estamos em casa e o Pê não está lá (quando fica em casa dos avós). Sinto que a casa não está completa, sem o terceiro e novo elemento da nossa família.

E a vida em casal, sentem diferenças?

Kika – Sinto que nos fortaleceu imenso!

 

E o que sentem mais falta, de quando ainda não eram pais?

Kika – O que tu sentes falta acaba por ser substituídos pelas coisas novas que ganhas.

Pedro – Eu não mudava nada. Cada vez estou mais convencido que foi a melhor coisa que nos aconteceu. Mas era o que eu falava em relação à espontaneidade de ir e fazer. Temos que planear agora!

Claro que há também coisas que custam. Chegar a casa a um domingo à noite cansadíssimo e não poderes ir logo para o sofá descansar e depois para a cama, porque à meia-noite tens que lhe pôr o pijama e dar um biberon. O dia não acabou por ali. E isso custa imenso, quando estás cansado. Não concordas Kika?

Kika – Sim claro. E também a maior parte das discussões surgem quando estás cansada.

Pedro – E quando adormecemos meia hora antes de lhe dar o biberon? Quando acordamos e já passou da hora, começamos os dois a refilar um com o outro a ver quem é que vai tratar das coisas. Mas tudo se faz.

Kika – Sim tudo se faz! E toda a gente passa por isto e não é nenhum bicho de sete cabeças. E tens que acreditar que tu também consegues!

 

Como foi a primeira semana?

Pedro – É o pânico total.

Kika – Sim, é o pânico total. Porque ao mesmo tempo que estás muita feliz, também estás completamente zombie, o que não te deixa gozar essa felicidade a 100%. Tu ainda não percebeste o que te está a acontecer…

Pedro – E sobretudo ainda não confias na tua capacidade para lidar com as coisas! E tens medo de não saber fazer bem. Tens medo de não estar a altura da missão.

Kika – Mas depois há uma frase, que a minha mãe e a mãe do Pedro dizem muito é que: “tudo o que o bebé precisa está em vocês, pais. Não precisa de mais nada.” Lembro-me que até pensámos em fazer uma viagem ao início com ele, mas tínhamos medo. E mais uma vez, as nossas mães disseram-nos: “onde o bebé está bem é com os pais. Mesmo que o ambiente seja estranho, se os pais estiverem lá, está tudo bem. É o porto seguro dele e isso é o mais importante!”

Pedro – Outra coisa estranha que aconteceu. Foi quando voltei ao trabalho, como o deixei antes da licença, e podiam passar umas duas horas e eu não me lembrava do Pê. Realizava, do nada, que ele já fazia parte das nossas vidas.

 

Os primeiros dias com o pequeno Pedro.

E falavam sobre os vossos receios e dificuldades na primeira semana?

Pedro – Sim, falávamos enquanto a Kika oscilava entre “ele é a melhor coisa do mundo! Ele é mesmo importante, Pedro!” e “quando é que vai passar este stress? É que eu estou sempre muita nervosa! Quando é que passamos à fase seguinte?”.

Kika – Sim, eu estava com as hormonas aos saltos! (risos).

 

O que é que mais te acalmava nessas alturas?

Kika – A presença do Pedro. Sentir que ele estava a passar exactamente pelo mesmo que eu. Apoiamo-nos muito um no outro. É um trabalho de equipa! É realmente muito importante falar!

Mas muitas vezes, também surgem discussões sobre a melhor maneira de fazer as coisas em relação ao Pê.

Pedro – Sim, isso poderá ser uma fonte de stress grande, já que a maneira como eu faço as coisas é o que eu vejo as minhas irmãs a fazerem com os meus sobrinhos e a minha mãe fazer ou dizer como é que se faz. E para a Kika é o que a mãe dela diz. Como nós ainda não temos a nossa maneira de fazer, vamos buscar aqui e ali e essas formas podem não coincidir.

Mas ao longo do tempo e com a prática, também percebemos o que funciona melhor no nosso caso, com o nosso filho e temos arranjado a nossa maneira de fazer.

Algum exemplo?

Pedro – O caso da esterilização dos biberons. Se bastava lavar ou não basta? Lava com detergente e esteriliza a seguir? A mãe da Kika dizia que não era preciso, mas eu via as minhas irmãs a esterilizarem sempre.

E como resolvem esse tipo de questões?

Com o tempo. Vamos testando as diferentes teorias. Até que há um dia em que não esterilizas e vês que não aconteceu nada.

 

Tudo isso correspondeu às expectativas que tinham antes de serem pais?

Pedro – Bom, isto não foi muito planeado. Não é que não sonhássemos em ser pais, mas não estávamos à espera, naquele momento. Por isso, acho que não criámos grandes expectativas…

 

E como é que é viver com uma gravidez que não foi planeada, mas que é desejada?

Kika – Ao início é pânico total e absoluto! Mas há uma coisa muita gira que acontece. É que a criança demora 9 meses a crescer dentro de ti e tu demoras também nove meses a realizar essa ideia. À medida que a barriga vai crescendo, tu vais tomando consciência que vai mesmo acontecer.

E achava mesmo engraçado, a anatomia humana prepara-te para seres mãe. Por exemplo, no fim da gravidez começas a deixar de dormir bem e de ficar tão confortável, o que já é de si uma preparação para, nos primeiros meses, não conseguires dormir com o bebé. Tu passas por essas transformações. É um processo… de encaixe!

 

O que é que mais desejam para o vosso filho?

Pedro – Que ele se sinta sempre seguro e esteja bem com as outras pessoas, connosco, com a famílias alargada, amigos. Se ele se sentir seguro nesses ambientes, ele criará a capacidade de se sentir à vontade e de se relacionar bem com diferentes pessoas e situações. Consegue ser sério, consegue-se rir de ele próprio, sem medo de se sentir atacado ou inferior a alguém, seja em que contexto for.

Isto é talvez aquilo que eu tenho mais medo de não conseguir, que ele não se sinta suficientemente seguro.

Kika – Sim, o miúdo tem que ter segurança e, sobretudo, sentir-se seguro. Desta forma, ele conseguirá sempre fazer tudo!

 

 

O que diriam a outros casais que estão, neste momento, a pensar ser pais?

Pedro – Despachem-se, que isto é o que melhor que há!

Kika – Corre! (risos)

 

E o que é o melhor disto tudo?

Kika – É a cara dele, o sorriso dele.

Pedro – A cara que ele faz quando o vamos buscar, de manhã, à cama.

Kika – Sim, isso é a melhor coisa do mundo!

 

 

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